terça-feira, 6 de dezembro de 2016


Queridos Irmãos e Irmãs é com grande alegria que apresentamos a todos uma mui caríssima Irmã Clarissa que é uma grande candidata as honras dos altares. Ela era monja do primeiro mosteiro de Clarissas do Brasil, o Mosteiro Santa Clara do Desterro na Bahia.
Madre Vitória da Encarnação, hoje, Serva de Deus Vitória da Encarnação, morreu em odor de santidade e durante toda a sua vida embelezou o claustro das Filhas de Santa Clara. 

Agradecemos de maneira singular ao grupo de leigos - Amigos da Madre Vitória - que estão se empenhando para que nossa Madre chegue as honras dos altares. 
De nossa parte desejamos que venha logo tão esperado dia de glória para nossa futura santa, para a nossa Ordem e para a Igreja particular da Bahia.
Também nos comprometemos de depositar essa bela intenção nas mãos da Rainha das Virgens, para que ela apresse a glorificação de sua tão querida filha, que castamente se doou ao Senhor. 

Para os que desejarem conhecer o Convento do Desterro ou saber mais informações sobre a serva de Deus, eis o endereço:

Convento do Desterro 
 Rua Santa Clara, s/n - Nazaré
CEP: 40040-450  Salvador-BA

Como ponto de referência aos que não conhecem, o convento fica na esquina da Avenida Joana Angélica com a Rua Santa Clara, a poucos metros da estação de metrô Campo da Pólvora, no bairro de Nazaré, região central de Salvador.

Ou ainda pela página no Facebook:

História

Em 6 de março de 1661, nasce em Salvador (então capital da colônia) Vitória Bixarxe, filha do capitão de Infantaria Bartolomeu Nabo Correia e de Dona Luísa Bixarxe. De pais católicos e devotíssimos, a casa deles parecia, no dizer de Dom Sebastião Monteiro da Vide, “uma casa de capuchas recoletas”. Neste ambiente devoto cresceu a menina Vitória e aprendeu com a família uma especial devoção à São Miguel Arcanjo, que nutriu até o fim de sua vida.

Aos 14 anos de idade, seu pai teve a intenção de enviá-la, juntamente com sua irmã mais velha, Maria da Conceição, para um convento nos Açores. Quando foi avisada, a menina reagiu com tanta aversão à tal ideia que disse preferir que lhe cortassem a cabeça a ser enviada para um convento. O susto da notícia causou na menina uma repulsa tamanha à vida religiosa que seu pai, preocupado foi tomar os conselhos do padre João de Paiva, que tinha fama de santo e profeta na cidade de Salvador. O padre João acalmou-o pedindo que rezasse e tivesse paciência, pois sua filha seria uma dia, “não apenas uma religiosa, mas uma grande religiosa”.

Dois anos após (1677), chegaram em Salvador quatro clarissas do mosteiro de Évora e fundaram o Mosteiro de Santa Clara do Desterro. Vitória estava com 16 anos, mas ainda resistia a ideia de um dia tornar-se freira. Sua devoção ao Arcanjo Miguel continuava latente e neste período começou a ter sonhos com o Menino Jesus que a chamava para o convento e também com a Virgem Maria que lhe dava diversos conselhos. Esses sonhos continuaram presentes até seus 25 anos de idade, quando então decidiu de fato entrar para o mosteiro do Desterro. Era o ano de 1686. Pediu ao pai que tomasse as providências cabíveis para sua entrada naquele mosteiro, e quis que esse dia fosse 29 de setembro, na festa de São Miguel.




No Mosteiro

No mosteiro viveu por 29 anos na clausura e tornou-se a mais conhecida das monjas clarissas da Bahia devido suas grandes virtudes e desejo de santidade. Dormia menos de três horas por noite e todo o restante do tempo passava em vigília diante do Santíssimo Sacramento. A Eucaristia foi para ela o centro de sua vida. Confessava-se frequentemente e não perdia a oportunidade de receber Jesus na Sagrada Comunhão em cada Santa Missa.

Todos os anos, do dia 15 de agosto ao dia 29 de setembro, a Madre Vitória rezava a quaresma de São Miguel em preparação para sua festa. E à partir da devoção a São Miguel cresceu também um amor incondicional às almas do purgatório, por ser considerado ele o arcanjo que resgata essas benditas almas. Sufragava-as continuamente oferecendo por elas suas obras, orações, penitências e sofrimentos cotidianos. Teve diversas experiências místicas com o Cristo sofredor e por muitas vezes foi vista pelas outras monjas a transfigurar-se em sua cela durante a noite, que ficava radiante de luz. Certa vez, enquanto acompanhava de joelhos a procissão do Senhor dos Passos (para o qual mandou construir uma capela dentro da clausura), transfigurou-se diante de toda a comunidade religiosa. Suas coirmãs viram brotar de sua face duas belas rosas.

Possuía tanto amor aos pobres e doentes que mesmo sem nunca ter saído do mosteiro, trabalhava incessantemente por eles, recolhendo esmolas das outras monjas e enviando-lhes mantimentos que retirava da dispensa das irmãs. Pedia também que seus parentes fizessem por eles o que ela mesma faria se estivesse fora da clausura. Por esse motivo os mendigos que batiam a porta do mosteiro a chamavam pelo apelido carinhoso de “nossa madre esmoler”. Deu-lhes em vida tudo o que possuía, inclusive a própria cama, passando a dormir no chão sobre uma esteira de palha. Se alguém no mosteiro adoecia, levava para sua cela e cuidava da doente até que ficasse plenamente curada. As obras de Misericórdia eram suas práticas ordinárias.

Após 29 anos de vida exemplar e muita caridade, a Madre Vitória faleceu aos 54 anos de idade, numa sexta-feira às 15 horas. Era o dia 19 de julho de 1715. De seu corpo exalava um suave perfume que era sentido em todas as dependências do mosteiro. Com a notícia de sua morte, uma grande multidão se aglomerou na portaria do mosteiro trazendo lenços e terços para que as monjas os tocassem no corpo da querida madre. Esses objetos eram guardados como verdadeiras relíquias e muitas pessoas se curaram de doenças graves ao contato com eles.

Em busca da beatificação

Cinco anos após o falecimento da Madre Vitória, devido sua fama de santidade e ao grande número de curas milagrosas por sua intercessão, o então arcebispo da Bahia, o jesuíta Dom Sebastião Monteiro da Vide, desejando torná-la conhecida e promover sua causa de beatificação, publicou em Roma sua biografia com o título “História da Vida e Morte da Madre Soror Vitória da Encarnação”.

Com a morte de Dom Sebastião e as dificuldades de comunicação da época, assim como a diversos outros problemas como a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal e a perseguição às ordens religiosas que se seguiram nos anos posteriores culminando com a extinção de alguns mosteiros, entre eles o das clarissas da Bahia, a causa da Madre Vitória não seguiu adiante. Muitos escritos de jesuítas foram proibidos de circular e a biografia da madre quase desapareceu. Mas a tradição oral e a discreta devoção nutrida pelos fiéis que frequentavam o convento do Desterro mantiveram viva a sua memória e 300 anos após seu falecimento a Madre Vitória continua sendo lembrada como a primeira religiosa do Brasil com fama de santidade.

Três séculos se passaram e o interesse dos devotos na beatificação da Madre Vitória resistiu. O Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, fez um pedido à Congregação para a Causa dos Santos de abertura oficial da sua causa de beatificação. No dia 07 de julho de 2016, a Congregação para a causa dos Santos emite o decreto 'nihil obstat' que autoriza a abertura do processo de beatificação da Madre Vitória e dá a ela o título de Serva de Deus. Enquanto isso seus devotos e admiradores permanecem em oração nos dias 19 de cada mês diante do seu túmulo, no Convento do Desterro, esperando que em breve esta fiel filha de São Francisco e Santa Clara seja elevada às honras dos altares.


No dia 29 de setembro desse ano, na festa de São Miguel Arcanjo no Convento do Desterro, foi celebrada a Santa Missa por ocasião do aniversário de 330 anos de entrada da Madre Vitória para a vida religiosa e o dia em que mudou o nome de Vitória Bixarxe para Vitória da Encarnação. A baixo segue a oração à Serva de Deus e fotos do Convento. 









Um comentário:

  1. Obrigado irmãs! Deus vos abençoe por intercessão da Madre Vitória.

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.

Últimas Postagens