quarta-feira, 20 de novembro de 2013


Monsenhor Carballo: os mosteiros estão nas periferias da humanidade

Um agradecimento ao Senhor pelo dom "de tantas pessoas que, nos mosteiros e ermidas, dedicam-se a Deus na oração e no silêncio laborioso". Assim se expressou o Papa Francisco no final da audiência geral desta manhã, recordando a "Jornada Pro Orantibus", de amanhã, com a qual a Igreja celebra a vida contemplativa. O próprio Papa - que amanhã às 17 horas, visitará o mosteiro das Beneditinas Camaldolesi de Santo Antão Abade do Aventino - em seu encontro de outubro, com as Clarissas de Assis, havia exortado às claustrais não terem um sorriso de "uma aeromoça" e a serem "peritas em humanidade".

Alessandro de Carolis perguntou ao arcebispo José Rodriguez Carballo, OFM secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, como foi recebido este convite:


R. - Ele foi muito bem acolhido! E, devo dizer que foi um convite muito oportuno, porque às vezes se pensa que a seriedade da vida evangélica - também a clausura, a contemplação, etc . - opõe-se à alegria profunda que, se expressa também no sorriso, mesmo no rosto. Quem realmente entra em um relacionamento, numa relação profunda de amizade com Deus, como é a vida contemplativa, não pode deixar de sorrir, não pode deixar de se tornar um ícone do sorriso de Deus para a humanidade. E é também  muito oportuno quando se fala de "peritas em humanidade". Eu acredito que todos os consagrados, mas de uma maneira muito particular as monjas de clausura, devem ser especialistas em humanidade. Assim, o mosteiro é chamado a viver no cotidiano aqueles valores humanos que são a terra fértil onde pode crescer uma autêntica experiência de Deus.

P. - Papa Francisco pede com insistência à Igreja para alcançar às periferias existenciais. Como a vida claustral percebe essa exigência que é tão cara ao Papa?

R. - A vida de clausura é uma opção para uma forma de vida separada, mas isto não significa ser ausente e não quer dizer isolamento. A vida claustral não pode nunca, jamais, estar ausente das preocupações dos homens e mulheres de hoje, particularmente da humanidade ferida. Como se fazem presentes nestas periferias? Antes de tudo, alguns mosteiros estão fisicamente localizados nas periferias; eu conheço alguns mosteiros de Clarissas que estão no meio de uma comunidade que acolhe pessoas dependentes em drogas, e muitas vezes fazem também o acompanhamento espiritual, mesmo permanecendo fidelíssimas à clausura. Conheco, também, muitos mosteiros que dão as instalações para acolher as pessoas que, de outra forma, não teriam um teto. Eu acho que realmente a vida claustral está saindo de uma espécie de “estufa” no sentido de contato com a realidade, às vezes, muito mais do que se pensa.

D. - No mundo de hoje, uma grande parte vive "como se Deus não existisse", como podemos compreender a presença dos consagrados que, ao contrário, vivem com Deus todas as horas de suas vidas?

R. - Precisamente porque hoje existe uma grande parte que vive como se Deus não existisse, eu acredito que a vida contemplativa é mais atual do que nunca. O homem de hoje, especialmente no mundo ocidental, tem tantas coisas. Porém lhe falta tudo, porque lhe falta o Tudo, ou melhor, Aquele que é Tudo! Assim, as contemplativsa e as claustrais neste mundo são muito necessárias, porque nos indicam que Deus basta, que Deus pode preencher de sentido uma vida.

D. - No término da conferência dos estudos no Teresianum amanhã, o senhor traçará o ponto sobre os caminhos e as perspectivas da vida contemplativa hoje. Quais são, na sua essência, estes cenários ?

R. - Partirei do conceito de contemplação, porque acredito que nem sempre seja claro, mesmo na Igreja e também entre nós, eclesiásticos, porque muitas vezes a contemplação se pensa somente em relação às orações que alguém deve recitar. Claro, a contemplação necessita da oração, porém, a contemplação, no entanto, vai muito além; é uma relação profunda e íntima com o Senhor. Em seguida, tentarei demonstrar onde deve estar a vida consagrada. Neste sentido, ao contrário do que muitos pensam, a vida das claustrais é por natureza apostólica. Por isto, enfatizarei muito esta dimensão de estar  mesmo nas periferias humanas.

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