quarta-feira, 27 de novembro de 2013


CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS NA COMUNIDADE
DAS MONJAS BENEDITINAS CAMALDULENSES

Mosteiro de Santo Antão Abade - Roma
Quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Contemplamos aquela que conheceu e amou Jesus como nenhuma outra criatura. O Evangelho que escutamos mostra a atitude fundamental com a qual Maria expressou o seu amor por Jesus: fazer a vontade de Deus. “Aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mt 12,50). Com esta palavra Jesus deixa uma mensagem importante: a vontade de Deus é a lei suprema que estabelece a verdadeira pertença a Ele. Portanto, Maria instaura uma ligação de parentesco com Jesus antes ainda de dar-lhe à luz: torna-se discípula e mãe de seu Filho no momento em que acolhe a palavra do Anjo e disse: “Eis aqui a serva do Senhor: Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Este “Faça-se” não é somente aceitação, mas também abertura confiante ao futuro. Este “faça-se” é esperança!

Maria é a mãe da esperança, o ícone mais expressivo da esperança cristã. Toda a sua vida é um conjunto de atitudes de esperança, a começar do “sim” no momento da anunciação. Maria não sabia como poderia tornar-se mãe, mas confiou-se totalmente ao mistério que estava para cumprir-se, e tornou-se a mulher da espera e da esperança. Depois vemo-la em Belém, onde aquele que lhe foi anunciado como o Salvador de Israel e como o Messias nasce na pobreza. Em seguida, enquanto encontra-se em Jerusalém para apresentá-lo no templo, com a alegria do velho Simeão e Ana ocorre também a promessa de uma espada que lhe atravessaria o coração e a profecia de um sinal de contradição. Ela toma consciência que a missão e a própria identidade daquele Filho, superam o seu ser mãe. Chegamos depois ao espisódio de Jesus que se perde em Jerusalém e vem chamá-lo: “Meu filho, porque fizeste isso conosco?” (Lc 2,48), e a resposta de Jesus que se subtrai às preocupações maternas e volta-se às coisas do Pai celeste.

No entanto, diante de todas estas dificulades e surpresas do projeto de Deus, a esperança da Virgem não vacila jamais! Mulher de esperança. Isto nos diz que a esperança se nutre da escuta, da contempalção, da paciência para que amadureça o tempo do Senhor. Também nas núpcias de Caná, Maria é a mãe da esperança, onde se faz atenta e solícita pelas coisas humanas. Com o início da vida pública, Jesus torna-se o Mestre e o Messias: a Senhora olha a missão do Filho com exultação, mas também com apreensão, porque Jesus torna-se sempra mais aquele sinal de contradição que o Velho Simeão lha havia preanunciado. Aos pés da cruz, é mulher da dor e ao mesmo tempo de vigilante espera de um mistério, maior que a dor, que está para realizar-se. Tudo parece realmente acabado, cada esperança pode-se dizer apagada. Ela também, naquele momento, recordando a promessa da anunciação poderia ter dito: não foi cumprida, eu estava enganada. Mas não disse. No entanto ela, feliz porque acreditou, por esta sua fé vê florescer um novo futuro e aguarda com esperança o amanhã de Deus.

Às vezes penso: nós sabemos esperar o amanhã de Deus? Ou queremos hoje? O amanhã para ela é a aurora da manhã de Páscoa, daquele primeiro dia da semana. Faz-nos bem pensar, na contemplação, no abraço do filho com a mãe. A única lâmpada acesa no sepulcro de Jesus é a esperança da mãe, que naquele momento é a esperança de toda a humanidade. Pergunto a mim e a vós: nos mosteiros está ainda acesa esta lâmpada? Nos mosteiros espera-se o amanhã de Deus?

Devemos muito a esta Mãe! Nela, presente em cada momento da história da salvação, vemos uma sólida testemunha de esperança. Ela, mãe de esperança, nos sustenta nos momentos de escuridão, de dificuldade, de desânimo, de aparente derrota, ou de verdadeiras derrotas humanas. Maria, nossa esperança, nos ajude a fazer de nossa vida uma oferta agradável ao Pai celeste, e um dom alegre para os nossos irmãos, uma atitude que olha sempre o amanhã.

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